sábado, 2 de maio de 2009


Hoje acordei toda cheia de certeza, me sentindo Carolina...
Estou em uma fase, que espero que não seja fase e dure pra sempre, em que ando me sentindo ser amado e amante. Por conta disso, levantei cheia de amor pra dar e com uma dor de estômago estranha.Como meu bem está a vajar, penso que é tempo bom pra ficar bem guardadinha em casa, no colo de minha mãe.
O porque de me achar Carolina, está transcrito abaixo, é um pedacinho de uma das cartas do Machado de Assis a sua amada esposa Carolina, datada de 2 de março 1868, tempo em que Machado e a amada ainda eram namorados.

"os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessas, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo. Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu ? Além disso tens para mim um dote que realça os mais: sofreste. É a ambição dizer à tua grande alma desanimada: "levanta-te, crê e ama; aqui está uma alma que te compreende e te ama também."

Sou bem modesta né? ;)
Mas fazer o que? É o amor que mexe com minha cabeça e me deixa assim...

sábado, 28 de março de 2009

Cheiro de páginas frescas




Adorei a idéia de poder mergulhar em um livro que não os acadêmicos, e ainda poder dar a desculpa pra minha mãe que não estou perdendo o tempo lendo bobagens e sim leitura obrigatória pra um projeto da Faculdade.Começarei escrevendo por aqui os sentimentos que me despertaram o começo da leitura de "A Sombra do Vento".Embora tenha trazido para casa três dos livros do projeto para escolher qual leria, no momento em que li a contra capa e as orelhas deste livro, nem ao menos olhei para os outros e já os devolvi a biblioteca. Além do instigante cheiro de páginas nunca antes folheada, ao iniciar a leitura já me senti transportada para um mistério que poucos livros apresenta.Ainda não sei descrever claros relatos sobre a história, mas confesso que mesmo sabendo que Julián Carax nunca existiu além do imaginário de Carlos Zafón, insisti em procurar nas páginas de busca e nas bibliotecas algo a seu respeito, tamanho encanto mostrou o jovem Daniel ao penetrar na incansável leitura do livro de Carax. Infeliz e obviamente, nada encontrei sobre o escritor, apenas músicas pouco conhecidas de um músico canadense.Vou enfim começar a descrever as minhas impressões sobre o livro, pra não pensarem que estou enrrolando dando a desculpa de ser uma boa leitora.Os Cemitérios dos Livros Esquecidos é o começo do livro, um presente de Sempere ao filho Daniel, na tentativa de compensar a falta da mãe já falecida. Creio que Sempere não fazia idéia do tesouro que Daniel encontraria nas plateleiras empoeiradas do cemitério literário. O livro de Carax envolveu o jovem de uma forma quase que inexplicável, nas palavras de Clara, a até o momento Grande Amor de Daniel, essa emoção é comparada a sensação do primeiro beijo, a chama da primeira vez que nós nunca nos esquecemos.Dias de Cinza, que é de fato o primeiro capítulo, vem depois da leitura esfomeada de Daniel do livro de Carax, é quando o garoto começa a corrida para descobrir o misterioso escritor e se existem mais de seus livros publicados. Sobre os livros e o paradeiro de Julián ele sabe nada mais do que histórias, mas, se depara com outros mistérios da vida, a personalidade instigante de Barceló, a intrigante, sedutora e cega Clara, sua "mãe substituta" Bernarda e o misterioso homem da face de couro que fuma livros e o observa. No momento em que Daniel começa a se envolver com Clara, esquece do mundo, se vê perdido no olhar de porcelana da moça, deixando seu pai e seu melhor amigo Thomáz de lado. Esse envolvimento, com a jovem, porém mais velha Clara, parece um erro aos olhos de todos, menos do jovem e apaixonado Daniel. Ao final do capítulo o jovem começa a sentir a verdade sobre o seu amor, e a pensar sobre as palavras dos que o cercam...Tudo bem que eu basicamente contei o primeiro capítulo, mas fiquem felizes em saber, que depois dele ainda tem mais umas 300 páginas pra vocês se deliciarem!

O Papa e o Gandhi

C. Berenstein no livro “Sua Santidade” conta que quando o Papa João Paulo II visitou a Índia em 1986, rezando diante do túmulo de Gandhi em Nova Dehli, ficou longo tempo tocando com sua mão a pedra da sepultura onde estão escritos os sete pecados sociais da humanidade moderna:“Política sem princípios; Riqueza sem trabalho; Prazer sem consciência; Conhecimento sem caráter; Economia sem ética, Ciência sem humanidade; Religião sem sacrifício”.

1. Política sem princípios: Gandhi entendia muito bem de política e de mística. Percebeu a falta de ética na política e o desastre social que tal postura provoca. Os pilares éticos da política são: a justiça, a verdade, a liberdade e o amor. Uma política sem princípios éticos transforma-se em disputa de interesses pessoais, oligarquias, corrupção, fraudes, manipulação social.

2. Riqueza sem trabalho: O Sistema neoliberal reforça a pirâmide social perversa onde os ricos se tornam cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. A técnica e a informática desligadas dos valores fortalecem o apartheid social onde muitos trabalham, mas a riqueza fica nas mãos de poucos. Na cultura consumista, onde os filhinhos de papai recebem tudo, sem trabalhar, está um dos maiores defeitos da vida moderna, é o problema da riqueza sem trabalho. No Sistema neoliberal a máquina tem prioridade sobre o homem, eis o pecado estrutural denunciado em Puebla.

3. Prazer sem consciência: Ghandhi viveu por decisão pessoal longos períodos de continência e castidade, porque tinha consciência que a revolução sexual, como a liberação da libido, tem levado as civilizações para a decadência. O prazer é o dom do criador em favor da vida. Não podemos ser contra o sexo, nem contra o prazer, muito menos contra o corpo. Somos contra o prazer absolutizado, o “prazer sem consciência”. O prazer desordenado tem causado injustiça, violência, doença mental, desagregação da personalidade. Já o prazer ordenado, vivido com gratidão e consciência, é meio saudável de doação, criatividade, entusiasmo e gosto de viver.

4. Conhecimento sem caráter: Tal conhecimento é apenas erudição sem sabedoria, sem mudança de vida, sem a conscientização. O conhecimento sem caráter começa com o costume perverso de “colar na escola”, de conhecer para aumentar o poder, é a simbiose entre conhecimento e opressão, ciência e manipulação, “saber sem sabor”. Mas, conhecimento sem caráter, é ambição por poder, busca de prepotência, cujo fim é “conquistar o poder, aumentar o poder, assegurar o poder” (R. L. Shinn). Conhecimento sem caráter é o mesmo que dizer: “saber é poder”. Tal saber não serve à vida, mas à morte.

5. Economia sem ética: É o livre mercado, onde o dinheiro é a “nova providencia” e a propaganda a “nova evangelização”, com romarias pra Miami e New York, onde os sacerdotes são os banqueiros e os empresários e a fé se concentra na caderneta de poupança, nas bolsas de valores, cujos templos são os bancos, os motéis e os shoppings. O mercado tomou o lugar da religião e comanda a sociedade secularizada com impiedosa massificação das mentes, economia sem ética é levar vantagem em tudo, é vender e lucrar, é mais valia, consumismo. O crescimento econômico sem ética é o pior monstro que a terra já viu. Ele é a fonte da violência, miséria, fome, prostituição, poluição, neurose e pânico. Lucrar, ser o mais forte, vencer, eis a lei da economia sem ética.

6. Ciência sem humanidade: É a ciência nas mãos de uma minoria que tudo sabe e a todos controla. È a ciência a serviço do poder e da violência, do racismo e do neoliberalismo. Ciência sem humanidade, é ciência sem consciência, desligada dos valores e da fé, ciência a serviço de interesses egocêntricos. Em nome desta ciência a poluição gera a morte da terra, os fetos são “matéria descartável”, os pobres são os culpados do sbdesenvilvimento, a clonagem é a substituição do amor sexual, do casamento e da família, a informática é meio de dominação do mercado. É a ciência a serviço das ideologias e interesses pessoais e corporativistas: “Sua ética é o interesse” (P. De Oliveira).

7. Religião sem sacrifício. É a religião sem testemunho, predica sem pratica, oração sem fraternidade, o culto só dos lábios. A pior das corrupções, é a corrupção religiosa, onde se usa o nome de Deus e se manipula o povo, em busca de lucros. A religião virou mercadoria e até safadeza. Religião sem sacrifício, é religião sem cruz, sem o seguimento de Cristo pobre, casto e obediente. É pregar sem viver o que se fala, é ajustar a Palavra de Deus segundo nossos interesses, elevar nossos caprichos à esfera de vontade de Deus. Religião sem sacrifício é querer que Deus faça o que nós queremos. Religião sem sacrifício é dizer uma coisa e fazer outra. É querer Deus sem se envolver com o mundo.

Dom Orlando Brandes Arcebispo